domingo, 24 de julho de 2016

Uber, nova tecnologia ou a velha filosofia igualitária?

Em São Paulo, por força de um decreto do Prefeito Fernando Haddad, aplicativos que até então se apresentavam como parceiros dos taxistas anunciaram que vão aceitar em suas plataformas carros particulares para o transporte remunerado de passageiros.
Debates, projetos de lei e matérias na imprensa falam em uma nova tecnologia que veio para ficar, mas não falam o óbvio: como fica toda a estrutura jurídica e técnica de uma profissão quase centenária, a dos taxistas?
Atualmente, essa “tecnologia” está afetando o serviço de táxi. Promove uma concorrência desleal, pois agrega todo e qualquer tipo de carro e motoristas em um único sistema que sempre se regulou, de acordo com as transformações e necessidades da sociedade. Em um futuro próximo, ainda veremos muitas outras profissões, igualmente importantes e respeitadas, serem deformadas e menosprezadas em nome de um avanço tecnológico.
Esse denominado avanço é muito diferente da automação da indústria automobilística da década de 90 e também diferente dos avanços tecnológicos que vemos na medicina, engenharia e nas telecomunicações. A tecnologia desses aplicativos está a serviço de uma filosofia que não agrega nada. Apenas desestrutura a sociedade, pois tem como fundamento a extinção do Estado Legal.
Falta um mês para o início da campanha para prefeitos e vereadores dos mais de cinco mil municípios brasileiros. Muitos desses candidatos argumentarão que os aplicativos vieram para ficar. E, em meio a tantos problemas, um será acompanhado com muita atenção pelos taxistas e todo sistema de transporte.
O que os taxistas de todo Brasil estão enfrentando não é simplesmente uma nova mudança que terão de se adequarem, como já fizeram em outras épocas. Trata-se de uma filosofia, adotada pelo aplicativo Uber, de um marketing agressivo, originado de uma antiga cartilha de um filósofo (Gramsci). Utiliza a estratégia de destruir o opositor, ora divulgando suas falhas, ora aumentando e até criando fatos que denigrem sua imagem.
A maior prova disso é o silêncio comprometedor e por vezes a omissão e até a prevaricação das autoridades do legislativo, executivo e do judiciário, que fingem desconhecer essa nova onda que vem do norte.

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