domingo, 9 de novembro de 2014

Waze aposta no social para ser o melhor aplicativo de rotas


Aplicativo de navegação, o Waze troca dados anônimos com parceiros em várias cidades para melhorar a experiência do usuário e o trânsito local




Julie Mosser, diretora de comunicação, Eric Ruiz, diretor de vendas para a América Latina, e Flavia Sasaki, chefe do programa de transmissão e de parcerias corporativas
Julie Mosser, diretora de comunicação, Eric Ruiz, diretor de vendas para a América Latina, e Flavia Sasaki, chefe do programa de transmissão e de parcerias corporativas


Duzentos e cinquenta milhões de minutos por dia. Esse é o tempo que o Waze é capaz de economizar poupando apenas cinco minutos por dia da vida de cada um dos seus 50 milhões de usuários ativos no mundo. Comprada pelo Google em meados de 2013, a empresa de origem israelense opera de modo independente e vem ampliando parcerias para levar novos recursos ao app.
Um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo, o Waze ajuda os motoristas a escolherem a melhor rota em tempo real quando estão em trânsito nas suas cidades. Em uma conversa recente com jornalistas realizada em São Paulo, executivos da empresa deram mais detalhes das últimas iniciativas.
Motoristas acostumados a acessar o Waze diariamente já devem ter se deparado com algumas dessas ações. A mais popular delas é trocar a voz tradicional do serviço por vozes conhecidas. Na época da Copa do Mundo, o Waze ofereceu para seus usuários duas opções de locução: Renata Fan e Silvio Luiz. Já para o mês das crianças, graças a uma parceria com a Disney, a voz do Mickey chegou ao aplicativo. Segundo Julie Mosser, diretora de comunicação, para o Waze “é muito importante não comprometer a experiência e a segurança do usuário com propaganda”. 
Google se mantém distante
Adquirido pelo Google há um ano, o aplicativo se esforça para preservar o espírito de startup e também para se diferenciar de outras soluções da casa, como o Google Maps. Seu principal diferencial está na comunidade de usuários, que são responsáveis por compartilhar informações sobre o tráfego, alertas em vias públicas e de cuidar para que os mapas estejam sempre atualizados.
Na opinião de Flavia Sasaki, brasileira que é chefe do programa de transmissão e de parcerias corporativas para a América Latina, ambas as plataformas convivem bem. Enquanto o Google Maps dá informações sobre o que há em uma região, como a padaria mais próxima, por exemplo, o Waze ajuda o motorista a achar a melhor rota e a mudar de caminho caso alguma via esteja interditada ou congestionada.
Aplicativo do Waze está disponível em português para iOS, Android e Windows Phone (Imagem: Divulgação)
Como foi adquirido pelo Google, o Waze divide com sua dona não apenas a receita, mas também alguns dados da plataforma. Porém, segundo Flavia, o Waze atua de forma bastante autônoma, de forma similar ao YouTube.
W10: Waze trabalha em cooperação com o governo
No mundo, são mais de 50 milhões de usuários ativos e o Brasil desponta como um dos cinco países com maior número de usuários, ao lado de Estados Unidos, México, França e Indonésia. São Paulo é a cidade brasileira com mais pessoas na plataforma: 1,5 milhão. Mas foi com o Rio de Janeiro, que possui cerca de 500 mil usuários ativos, que o Brasil chamou a atenção do Waze.
Um projeto piloto de cooperação da empresa com o Centro de Operações do Rio (COR) foi o que serviu de inspiração para a criação do programa Cidadãos Conectados e do grupo W10, como são chamadas as dez cidades que farão parte do projeto. A iniciativa anunciada recentemente em Nova York, no Estados Unidos, foi criada para ser uma via de duas mãos no compartilhamento das informações. O Waze recebe informações dos parceiros, tais como atualizações vindas dos sensores de estradas, adiciona esses dados de acidentes e fechamentos de ruas ao seu sistema, e devolve estas informações de forma sucinta por meio de gráficos da situação das ruas para as entidades.
No Rio de Janeiro, o projeto com o COR teve início ainda em 2013 e ajudou a cidade e o governo municipal a se preparar para a chegada do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude. Em duas semanas, o Centro de Operações do Rio integrou a API do Waze ao seu Centro de Controle de Trânsito, adicionando relatos anônimos de motoristas aos dados existentes enviados pelos sensores de ruas e câmeras, criando um enorme e completo painel dinâmico com situações reais do trânsito da cidade.
Segundo a empresa, várias organizações municipais que não estão no grupo do W10 estão se preparando para aderir ao Programa Cidadãos Conectados. No Brasil, Porto Alegre, Salvador, Petrópolis, Vitória e Florianópolis são exemplos de cidades onde há entidades interessadas.
Monetizando a partir dos dados
O Waze é um serviço grátis e a ideia é mantê-lo assim. Mas a empresa vem ampliando as formas de obter lucro com o app, por meio de soluções de publicidade diversificadas.
Uma delas é o que o Waze chama de Branded Pin, que funciona como uma espécie de outdoor digital dentro da plataforma. São marcações nos mapas que lembram os motoristas de lugares próximos de suas rotas. Interativos, os pins podem trazer informações sobre o estabelecimento e até dar descontos. As mensagens são relacionadas com a localização do usuário ou as suas características.
Wazer é como é chamado o símbolo do motorista na plataforma de mapas (Imagem: Divulgação)
Já o Zero-speed Takeover são anúncios que só aparecem quando o motorista está parado e podem ser entregues com base nas condições de trânsito, como uma rota lenta, tipo de destino – se a pessoa está indo para a casa ou para o trabalho –, tráfego ou ainda do clima da cidade naquele momento. Uma terceira opção de inserção de marca de outras empresas é chamada de Nearby Arrow, que indica para o usuário pontos de interesse próximos da sua origem antes deles começarem a dirigir, logo que se conectam ao aplicativo.
Todas essas opções de anúncios têm como objetivo tornar o negócio do Waze lucrativo, mas mantendo o serviço gratuito e os dados trocados na plataforma não comercializáveis. De acordo com Julie, durante algum tempo, houve dentro do Waze uma discussão sobre se a plataforma seria um negócio empresa-consumidor (B2C) ou empresa-empresa (B2B) e se optou pela primeira opção porque a base do Waze é a sua comunidade de usuários. “Em um negócio B2B, o foco não seria no motorista, mas sim no dinheiro. Para o Waze seria difícil lidar com a venda de informações, e é melhor não precisar fazer isso. Quanto mais usuários na plataforma, melhores são os nossos dados”.
Redes do Brasil são desafio
Segundo Flavia Sasaki, a infraestrutura de redes móveis do Brasil – 3G e 4G – é um desafio para um aplicativo que depende de conexão com a internet e de GPS. No passado, já foram feitas tentativas de parcerias com algumas operadoras, mas sem sucesso. Por hora, o Waze não estuda levar esse tipo de iniciativa adiante e aposta no fortalecimento do 4G para expandir sua base de usuários no Brasil.
Quanto a fazer versões específicas do Waze para taxistas, por exemplo, Julie Mosser disse que é uma ideia, que a empresa já identificou essa e outras oportunidades, mas que como ainda possui apenas um aplicativo para todos os países – o que muda é a tradução do idioma –, esse seria um passo a ser dado no futuro, quem sabe. “Primeiro, o Waze tem que estar perfeito para os motoristas de todo o mundo”, concluiu.

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