domingo, 25 de agosto de 2013

Capanga de José Mayer em 'Saramandaia' foi taxista em Salvador


'Conheci diversos personagens, era como fazer um grande laboratório', diz o ator Val Perré, que é de família humilde: 'Sou filho de pescador'.


Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)
Perré atualmente chama atenção do público como o capanga Firmino, braço direito de Zico Rosado (José Mayer) em "Saramandaia". Mas o ator de 44 anos já teve que trabalhar como taxista para ajudar a sustentar a família. Em conversa com o EGO sobre sua carreira, ele conta que exerceu a profissão de 1999 a 2006, em Salvador, quando descobriu que seu segundo filho ia nascer - ele é pai de três: Tássio, de 17 anos, Yuri Texeira, de 13, e Júlia, de 8. "Trabalhei no Pelourinho e fiz grandes amizades que duram até hoje. O que me levou a ser taxista foi a chegada do meu segundo filho, quando precisei aumentar a minha renda. E a flexibilidade de horário também favorecia, pois eu podia conciliar o trabalho com as aulas de curso livre de teatro na  Universidade Federal da Bahia. Conheci diversos personagens, era como fazer um grande laboratório", relembra.
Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)
Filho de um pescador de Acupe - distrito de Santo Amaro da Purificação, onde nasceram Caetano Veloso e Maria Bethânia -, no interior da Bahia, Val é um dos dez filhos de uma família humilde. No entanto, ele se define como um "homem de sorte". "Venho de uma família humilde, sem luxo, mas nunca faltou nada em casa. Sempre fomos muito felizes e unidos. Comecei na carreira artística com 22 anos, no Balé Folclórico da Bahia, em Salvador. E depois, quando iniciei a carreira de teatro, tive a sorte de participar de bons projetos, com profissionais sérios e atores conceituados. É um peso muito grande, nunca enfrentei muita dificuldade", afirma.
A mudança definitiva para o Rio, onde mora até hoje, aconteceu em 2007, quando Val estreou na televisão , na minissérie "Amazônia". Após o fim da produção, ele chegou a voltar para a  Bahia, mas contou com a ajuda da atriz Neuza Borges, que emprestou seu apartamento em Copacabana, para que ele pudesse ficar na Cidade Maravilhosa. "A ajuda da Neuza apareceu de forma inesperada. Quando fazia 'Amazônia', a encontrei no Projac e acabamos virando amigos. Depois de algum tempo, viajei para minha cidade e encontrei ela por lá também. Ela me ofereceu o apartamento dela em Copacabana, já que ela ia ficar em Salvador durante três meses e eu vim. Durante este período, os trabalhos não apareceram imediatamente. Mas, no final do ano, tendo que retornar a Salvador e já de malas prontas, recebi uma ligação para fazer um teste para a peça 'O Baile', de José Possi Neto, e entrei no elenco da peça substituindo um ator. Com a grana do espetáculo consegui me estabelecer e outros trabalhos surgiram no cinema como 'O Guerreiro Didi e Ninja Lili' e 'Bonitinha, mas ordinária'", conta.
Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)Val Perré (Foto: Felipe O'Neill/Divulgação)
Feliz com os rumos da carreira, Val garante que já consegue se sustentar e ter uma vida confortável com o que ganha como ator. "Saramandaia", segundo ele, é uma grande oportunidade, pelo fato de trabalhar com nomes como Fernanda Montenegro, José Mayer, Matheus Nachtergaele, Marcos Pasquim e Leandra Leal. "Interpretar Firmino é um grande presente como ator. Está sendo maravilhoso fazer a novela, não só pela questão do personagem, mas por conhecer grandes atores e aprender por osmose ao lado de pessoas tão experientes. Já tinha trabalhado com o Zé (José Mayer), no filme “Amazônia Caruana”, da cineasta Tizuka Yamasaki, e em “Viver a Vida”, novela de Manoel Carlos, e ele sempre me impressiona com sua generosidade e simplicidade. É um excelente parceiro de cena", elogia.
Buscando crescer e ser reconhecido, Val tem se dedicado às aulas de canto e voz e tem feito oficinas para se qualificar ainda mais. Apesar de já ter 17 anos de carreira e nenhum papel de grande destaque no currículo, ele fala que nunca pensou em desistir: "Nunca pensei nisso. Essa é uma profissão difícil como qualquer outra, que requer comprometimento, estudos e disciplina. Mas acredito que estou no caminho certo e todos nós temos uma oportunidade no momento certo. O tempo de estrada que tenho serve como experiência e maturidade para novos projetos de destaque. Tenho muito amor no que eu faço!"

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